Até onde vai sua arrogância e teimosia? Um dos exemplos de teimosia e apego a decisões ou escolhas que fazemos em nosso dia a dia foi estudado pela Economia Comportamental e costumeiramente é chamado de falácia do custo irrecuperável (Sunk Cost).

Muitas vezes nos apegamos a determinas decisões por considerar que o tempo, os recursos financeiros ou envolvimento psicológico que empregamos, foi alto demais e assim temos resistência a abrir mão desse esforço dado o custo dele para nós.

Uma frase resume bem o comportamento atrelado ao custo irrecuperável:

“Já cheguei até aqui… Agora vou até o fim!”

Apesar de não saber ao certo o autor da frase acima, ela se aplica muito bem o caso da falácia do custo irrecuperável. É tentador assumir esse tipo de comportamento, afinal de contas, quando nos envolvemos demais com algo, ficamos meio míopes e tendemos a não conseguir nos desvincular daquilo que tanto investimos.

Outros vieses podem contribuir para reforçar o comportamento da falácia do custo irrecuperável. Podemos por exemplo utilizar heurísticas de confirmação. Neste caso, ao contrário de negar o fracasso da ideia original, vamos desesperadamente procurar informações que confirmem nosso ponto vista, de que ainda pode haver salvação para a ideia, decisão, posição em investimentos, ou seja, lá o que for.

Assim entramos num ciclo vicioso onde renunciamos nossa parca racionalidade e seguimos piorando continuamente a situação. Se por exemplo é um investimento, que vem mostrando sinais de rendimentos negativos sucessivos, muitos insistem na espera excessiva, acentuando as perdas simplesmente por não aceitar e reconhecer a hora de “abandonar o barco”.

De acordo com Arkes & Blumer, 1985 – indivíduos são acometidos pela falácia do custo irrecuperável quando:

“…quando continuam um comportamento ou esforço como resultado de recursos previamente investidos (tempo, dinheiro ou esforço).”

Arkes & Blumer, 1985

O apego à manutenção do comportamento, mesmo quando já está nitidamente evidente o fracasso, não tem apelo racional.

Longe disso!

Afinal de contas, pensem comigo: se algo está apresentando um resultado indesejado, quanto antes você se livrar desse resultado, melhor! Não acham?

Mas o revés também pode ser explicado para inércia e nossa tendência à inação. Uma variante desse comportamento está ligada à nossa grande inclinação para a manutenção de nosso status quo. Nossa natureza em geral é resistente a mudanças e também ao reconhecimento de nossos fracassos pessoais.

É comum escutar por todo canto:

“Ah, já deu errado mesmo, vou manter minha posição (decisão), quem sabe não acontece algo e reverto a situação? Já gastei tempo e dinheiro mesmo!”.

Adotar um comportamento de negação ou negligenciar os resultados negativos de nossas decisões adotando uma posição de manutenção de nosso status quo, traz algum conforto psicológico. Afinal de contas não temos que nos desgastar emocionalmente para aceitar o fracasso. Também não precisamos utilizar esforço cognitivo para nos mover de uma posição para outra, eliminando o status quo.

Mudar também consome muito esforço cognitivo e quando a esse esforço somamos o alto custo psicológico do fracasso… Simplesmente podemos pensar, num momento inicial, que a opção menos dolorosa seja nos manter exatamente como estamos.

No entanto essa manutenção e a tentativa desesperada de evitar a dor e sofrimento e de ter que reconhecer que as coisas deram errado, nos leva pouco a pouco a situações ainda mais dolorosas e agudas, aumentando o sofrimento.

Vejam um caso recente, na minha opinião, um claro exemplo de falácia do custo irrecuperável. A declaração abaixo é de Elon Musk, que dentre um dos seus muito projetos, é CEO da Tesla, uma empresa que produz automóveis.

Você pode pensar que perder US$40 milhões de dólares para Elon Musk é nada. Afinal de contas ele figura entre as pessoas mais ricas do planeta. Mas sob o ponto de vista da racionalidade, ele perdeu! Independentemente do valor, foi uma perda e negligenciá-la é demonstrar claramente o sintoma da falácia do custo irrecuperável.

Sabemos como é complexo admitir e mais complexo ainda é evitar a falácia do custo irrecuperável, mas algumas dicas podem ajudar:

– Defina um limite para suas perdas;

– Treine avaliar sua posição sob diferentes pontos de vista;

– Sempre procure contrapontos em tudo que chegar até você. Se te contaram uma ideia ou teoria nova, procure pesquisar quem está se posicionando de forma contrária e quais os argumentos;

– Não deixe nada mal resolvido na sua vida. Com o passar do tempo o custo psicológico e sofrimento, acumulado certamente será maior do que o inicial necessário para sair de algum posicionamento ou decisão.

Então é isso. Tome cuidado para não se enganar e parecer tolo como o Elon Musk.

Até o próximo post!

REFERÊNCIA

Arkes, H. R., & Blumer, C. (1985), The psychology of sunk costs. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 35, 124-140.