A contabilidade mental é o conjunto de operações cognitivas usadas por indivíduos e famílias para organizar, avaliar e acompanhar as atividades financeiras. Em geral esse conjunto de operações envolve a separação de despesas em silos mentais com objetivo de nos proporcionar uma avaliação de como gastamos nosso dinheiro. É como se fosse uma forma de rastrearmos onde estamos gastando nosso dinheiro.

Este conceito foi estabelecido pelo trabalho de Richard Thaler (Thaler, 2015) pesquisador que ganhou no Nobel de Economia em 2017. De acordo com Thaler, as pessoas pensam em valor em termos relativos e não absolutos. Eles obtêm prazer não apenas do valor de um objeto, mas também da qualidade do negócio – sua utilidade de transação (Thaler, 1985).

Ainda segundo Thaler (Thaler 1999), a contabilidade mental possui três componentes principais:

“O primeiro capta como os resultados são percebidos e experimentados e como as decisões são tomadas e subsequentemente avaliadas. O sistema contábil fornece as entradas para fazer análises de custo-benefício ex ante e ex post. A escolha de compra do consumidor é entendida como cálculo incorporando o valor do ‘negócio’ (denominado como utilitário de transação).”

“Um segundo componente da contabilidade mental envolve a atribuição de atividades a contas específicas. Tanto as fontes quanto os usos dos fundos são rotulados em sistemas contábeis reais e mentais. As despesas são agrupadas em categorias (habitação, alimentação, etc.) e os gastos são por vezes limitados por orçamentos implícitos ou explícitos. Os fundos a serem gastos também são rotulados, tanto como fluxos (renda regular versus ganhos extraordinários) quanto como estoques (dinheiro em caixa, patrimônio líquido, riqueza de pensão, etc.).”

“O terceiro componente da contabilidade mental diz respeito à frequência com que os relatos são avaliados e o que Read, Loewenstein e Rabin (1998) rotularam como “choice bracketing” (apoio decisório). As contas podem ser balanceadas diariamente, semanalmente, anualmente e assim por diante, e podem ser definidas de maneira restrita ou ampla. Uma música bem conhecida implora que os jogadores de poker “nunca contém o seu dinheiro enquanto você está sentado à mesa”. Uma análise da contabilidade mental dinâmica mostra porque este é um excelente conselho, tanto no pôquer como em outras situações envolvendo tomada de decisão sob incerteza (como investimento).”

 

REFERÊNCIAS

Thaler, R. H. (2015). Misbehaving: The making of behavioral economics. New York: W. W. Norton & Company.

Thaler, R. H. (1999). Mental accounting matters. Journal of Behavioral Decision Making, 12, 183-206.

READ, Daniel; LOEWENSTEIN, George; KALYANARAMAN, Shobana. Mixing virtue and vice: Combining the immediacy effect and the diversification heuristic. Journal of Behavioral Decision Making, v. 12, n. 4, p. 257-273, 1999.