Estamos na Semana Nacional de Educação Financeira, um programa que reúne e incentiva diversas ações para a educação financeira no Brasil, prevista na Estratégia Nacional de Educação Financeira, mais conhecida como ENEF.

Muitas ações têm sido realizadas, desde massiva mobilização em redes sociais, até eventos e complexos com palestras e cursos presenciais e online que tem por objetivo último letrar minimamente pessoas para que sejam capazes de tomar boas decisões financeiras no cotidiano.

Sem dúvidas é uma política de governo muito válida e certamente causa impacto muito positivo, incluindo temas e capacitando pessoas sobre assuntos que em geral são tratados com muitos jargões técnicos e cálculos, nada simples para a grande maioria da população.

Pensando nisso resolvi escrever alguns posts simples sobre aquilo que realmente importa saber muito bem sobre finanças pessoais e que irá sem dúvida alguma fazer você dar o primeiro passo para deixar de ser fisgado como tolo por aí.

Meus avós diziam que todos os dias sai pelo menos um tolo de casa. Em se tratando de finanças pessoais, eu acho que saem muito mais do que apenas um tolo de casa todos os dias.

Como disse a ideia é listar algumas regras simples, como uma espécie de primeiro passo para que você evite ser pego facilmente como um tolo por aí. Neste primeiro post falo sobre uma regra que talvez seja a mais importante de todas.

No entanto, dada sua obviedade, muitos ainda passam batido por ela e negligenciam do ponto de vista da gestão financeira pessoal, o poder que O Óbvio tem em desestruturar qualquer orçamento, independente do quanto você ganha ou da sua condição financeira.

Respeitar o Óbvio em finanças pessoais é sem dúvida o primeiro passo para você deixar se pego como tolo e ao contrário, conquistar o conforto financeiro no seu dia a dia.

#Dica 01: O Óbvio

Pode parecer óbvio, mas em se tratando de finanças pessoas o desafio mais difícil de vencer incialmente é o de gastar menos do que ganha. Compras por impulso, dinheiro virtual como cartões e limites de crédito, cheques especiais e tantos outros, são grandes estímulos ao nosso descontrole financeiro.

Mas você estar pensando que isso é simples e que não é possível cair numa tolice dessas. São muitos os comportamentos até mesmo inconscientes que nos fazem cair nesse tipo de armadilha. Comprar algo parcelado, por exemplo, acaba distorcendo nossa percepção de preço e do quanto uma compra pode impactar nosso orçamento.

Outro agente causador de descontrole financeiro são os gastos com cartão de crédito. Ao pagar com cartão, sentimos menos a dor de pagar e acabamos por ficar com uma dose muito maior do sentimento mais prazeroso que é a posso do objeto que desejávamos antes da compra. Pagar no cartão mascara o sentimento “ruim” que é materializado pelo dinheiro e pela dor que sentimos ao enxergar todo recurso financeiro sendo entregue durante o montante para pagamento.

Compras com cartão exigem muito menos esforço cognitivo e psicológico e como se não bastasse, acaba criando muito mais sentimentos de recompensa (reforço positivo) do que sentimentos negativos (dor do pagamento / reforço negativo).

A dica então é acompanhar diariamente seus gastos contando também aqueles realizados no cartão. Pode ser pelo aplicativo do banco ou uma simples anotação, mas seja criterioso (a), anote todos os gastos do cartão e ao final do dia some para ver o total gasto.

Anotar, somar e ver o total que foi gasto diariamente com o cartão, certamente vai acrescentar um pouco mais de dor de pagamento ao usá-lo, reduzindo com isso, o reforço positivo da compra e posse do bem para equilibrar o mesmo com a dor do pagamento vista após somar o total gasto.

Essa simples dica, que certamente vai soar óbvia para muitos, pode deixar você mais conservador em compras futuras e consequentemente reduzir um pouco suas compras por impulso, ou o que é ainda melhor:

Reduzir as compras sem cobertura de renda disponível!

Compras sem cobertura de renda são aquelas feitas sem que efetivamente você o dinheiro para pagar. Acontece quando usamos o limite de crédito que temos disponível sem planejar o fazer as contas de como o uso do crédito vai impactar em nosso orçamento.

É interessante perceber que não são raros os casos que pessoas acabam usando tanto o cartão de crédito e o cheque especial, que passam a considerar inconscientemente os limites para uso como sendo partes adicionais de sua renda.

Estes produtos, (cheque especial e cartão de crédito) foram pensados como verdadeiras armadilhas de consumo e com o passar dos anos, foram sendo aprimorados com o objetivo único de fazer você mais.

Pensem no cheque especial. Não é raro que essa linha de crédito tenha limites que sejam muito próximos do total que temos que renda, como nosso salário. As vezes e não raro os limites são até maiores do que o salário total que ganhamos. Onde está a racionalidade disso?

Para nós consumidores, racional é não usar. Para as instituições financeiras, o racional é que caiamos na cilada e sejamos tolos o bastante para usar.

Tanto o cheque especial como o cartão de crédito são legítimas ferramentas de incentivo ao automatismo, que são comportamentos típicos do sistema 1. Assim gastamos sem foco na renda, sem saber muitas vezes se teremos dinheiro para pagar quando a fatura ou a conta chegar. E assim vamos gastando e nos enrolando cada vez mais.

Quando mais usamos, menos dor de pagamento vamos tendo e mais automáticas são nossas decisões de gasto. Para piorar ainda temos inúmeras facilidades como salvar o cartão nas lojas online para quando for comprar não precisar nem digitar nada, apenas clicar no botão “comprar com 1 clique”.

Recentemente tem aumentando muito a oferta de dispositivos que permitem pagar pelo celular, pagar com pulseiras que funcionam como cartão de crédito, mas facilitam ainda mais o pagamento evitando que você tenha até mesmo que “abrir a carteira” para pagar algo.

Aplicativos também fazem funções parecidas com as pulseiras de pagamento efetivando transações apenas pela presença do celular. Algumas lojas como a Amazon Go, você nem mesmo precisa passar no caixa para pagar, basta pegar e ir embora com algum produto que a cobrança vai automática para seu cartão ou conta.

E são muitas as facilidades e atraídos por elas, esquecemos de forma recorrente o Óbvio: gastar menos do que ganhamos!

Enquanto é fácil perceber a evolução das formas de gastar, ainda é muito difícil prever se tanta facilidade não estará agindo mais para atrapalhar do que para nos ajudar em nossa já complexa gestão financeira no dia a dia. Enquanto nossa espécie não evolui, enquanto ainda estivermos mais para Homer Economicus do que para Homo Economicus, ou seja, enquanto ainda estivermos mais propensos aos comportamentos automáticos e impulsivos… Pode ser que um pouco menos de facilidade nos seja mais desejável do que o contrário.

Até o próximo post com a próxima dica!