A colunista Peggy Noonan em sua coluna da edição de final de semana trouxe uma reflexão interessante a respeito dos problemas da sociedade Norte Americana. Segundo ela, os EUA têm uma causa ainda pouco discutida, quem sabe até mesmo oculta, para os problemas e tensões sociais que vem acontecendo por lá.

Noonan em seu artigo, destaca uma causa como sendo a raiz de tais problemas e escândalos pelos quais a sociedade Norte Americana tem passado. Segundo ela, o escândalo do vazamento de dados do Facebook e as denúncias envolvendo o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, acusado de assediar mais uma dezena de atrizes, são causados pela falta de maturidade dos adultos. Estes, aponta Noonan, estariam:

“negligenciando a assumir, a cada dia, a maturidade, a graça e a autodisciplina esperadas dos adultos que é parte de seu papel na sociedade.”.

Eu bem compartilho da posição da articulista do jornal. E me arrisco a ir um pouco além no assunto, assumindo que esta crise de maturidade é também a causa dos males que vêm ocorrendo com maiores ou menores proporções em muitos outros países além dos EUA.

Nem é preciso ir muito longe. Aqui na América Latina, temos a Venezuela com seu ditador, forçando toda uma sociedade a sucumbir severamente por mero capricho e sede de poder. No Brasil, a classe política demonstra, talvez num patamar inacreditavelmente único na história, o total descolamento da realidade e do senso de responsabilidade com o qual exercem seus cargos e funções. A lista não para por aí.

Não faz muito tempo que Christina Kirscher levou a Argentina a uma crise sem precedentes, também com viés autoritário, levando sua sede de poder a secar todas as fontes de credibilidade e lisura de seus atos como governante. Mentiras, falsificações de dados, informações econômicas fabricadas, todo tipo de prevaricação controlando o país como quem controla um vídeo game, onde as vidas são perdidas e retomadas de onde pararam, permitindo ao jogador recomeçar e corrigir os erros para avançar.

Voltando ao caso Brasil, a crise de maturidade parece ser de tal envergadura que nem sequer há espaço para debate de ideias divergentes sem que este, caminhe para situações onde mentir, inventar, difamar, ofender e até mesmo violentar, sejam atitudes aceitáveis para meras divergências ideológicas.

Parece mesmo que no Brasil, tal como analisou a colunista do WSJ, uma crise de maturidade esteja em curso. E o que é pior? Além de não estarmos discutindo sobre como vencer tal crise, parece que nem sequer identificamos ainda, que estamos envoltos numa grave crise de maturidade social.

Como escreve Peggy Noonan:

 “I want to write about something I think is a problem in our society, that is in fact at the heart of many of our recent scandals, and yet is obscure enougth that it doesn’t have a name. It has to do with forgetting who you are. It has to do with refusing to be fully adult and neglecting to take on, each day, the maturity, grace and self-discipline that are expected of adults and part of their job. That job is to pattern adulthood for those coming up, who are looking, always, for How To Do It how to be a fully formed man, a fully grown woman.

It has to do with not being able to fully reckon with your size, not because it is small but because it is big I see more people trembling under the weight of who they are.” (From WSJ, Write by: Peggy Noonan.)

TRADUÇÃO LIVRE

“Eu quero escrever sobre algo que eu acho que é um problema em nossa sociedade, que está na verdade no coração de muitos dos nossos recentes escândalos, e que ainda é obscuro a ponto de não ter um nome. Tem a ver com esquecer quem você é. Tem a ver com a recusa em ser totalmente adulto e negligenciar a assumir, a cada dia, a maturidade, a graça e a autodisciplina esperadas dos adultos como parte de seu trabalho. Esse trabalho é padronizar a vida adulta para aqueles que estão chegando, que estão sempre procurando, o Como Fazer, como ser um homem totalmente formado, uma mulher totalmente crescida.

Não tem a ver com ser capaz de contar totalmente com o seu tamanho, não porque é pequeno, mas porque é grande. Eu vejo mais pessoas tremendo sob o peso de quem elas são.” (Do artigo do WSJ, escrito por: Peggy Noonan.)

Enquanto nossas crises vão se arrastando e levando com elas parcelas cada vez maiores de nossa civilidade, parece que ainda estamos muito longe de sequer abrir uma discussão sobre o atual estágio de nossa maturidade como indivíduos e como sociedade.

Às vésperas de mais uma eleição, estamos ocupando ruas, postando em redes sociais, debatendo em mesas de bar e nos almoços de domingo. Mas será que estamos travando estas batalhas pelos motivos certos?

Será que estamos maduros para perceber que as batalhas a serem travadas são pela melhora do país e não sobre que lado perde ou ganha ao final?

Quando paro para refletir sobre o que a colunista Peggy Noonan do WSJ escreveu sobre os EUA, penso que estamos como eles, perdidos num caminho com a ilusão de que estamos escolhendo o melhor.

Na verdade, acredito que nos falta mesmo é definir para onde queremos ir. Neste processo, amadurecer a ponto de conseguirmos certa coerência para compartilhar um destino comum será a primeira conquista do rumo ao amadurecimento. E quanto soubermos onde queremos chegar, talvez seja possível amadurecer um pouco mais para juntos caminharmos até lá.

Até que isso aconteça, que possamos sobreviver e nos fortalecer com a crises que já estão instaladas e com aquelas outras que ainda virão.

Oremos!