Está difícil fugir do assunto da prisão do ex Presidente Lula, para onde se olha e por mais seletivo que seja, lá está alguma referência, comentário ou menção ao aquartelamento do então condenado à prisão. Não tenho objetivo de discutir neste post o mérito da questão, nem fazer as vezes de judiciário paralelo ou muito menos de me render ao senso comum que tomou a internet e muitos outros canais de mídia no dia de hoje.

A despeito de toda cena e espetáculo, claramente montado para dar audiência e visibilidade aos que ficarem soltos, vejo que na verdade o que se procura enquanto o ex Presidente se refugia na cidade de São Bernardo é capitalizar um ativo precioso em ano eleitoral: tempo de exposição gratuita na mídia. Até mesmo figuras relegadas ao ostracismo como a ex Presidente Dilma, surgem do nada para então virar notícia eleitoreira especulando uma possível candidatura ao Senado ou Governo de Minas Gerais.

Presidenciáveis como a Deputada Manuela Dávila também se aproveitam do momento, tiram selfies, gravam Stories, fazem pose para fotos junto a artistas famosos e com isso vão movimentando seus perfis nas redes sociais e acumulando material publicitário para usar em campanha.

Nada mais caricato e depreciativo da imagem e função de um ex Presidente do que posar de alegoria e trampolim para outros se elegerem. Toda essa exposição, milhares de câmeras, celulares e redes sociais a mil, apenas refletem ainda mais a irrelevância do líder petista que perde o protagonismo político e ideológico para se transformar em uma espécie de alegoria carnavalesca, cercado de interesseiros que pretendem usar e abusar de seu “carisma” como instrumento de campanha eleitoral.

Diga-se de passagem, este ato em defesa de Lula condenado, é nada mais do que um grande comício. Não se pode falar em golpe, afinal o julgamento foi justo, a lei respeitada, o direito de defesa garantido e tudo mais que um criminoso tenha como garantia dentro do Estado democrático foi dado. Aliás a meu ver a concessões ao ex Presidente foram é além daquilo que a lei prevê.

Prisão sem algemas, com hora marcada e avisada antecipadamente? É isso mesmo? Sim! Desse jeito foi organizada a prisão do criminoso. Ora essa! Onde já se viu isso? Polícia que avisa antecipadamente a hora da prisão? Só no Brazil com “Z” mesmo para algo dessa monta acontecer.

O tom do protesto a favor de Lula, também não tem sido a afirmação de algum tipo de ideologia ou causa político-social. No palanque antecipado, diga-se de passagem ilegal, que está acontecendo na sede do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, alguns falam, outros circulam, parte finge que escuta, presta a atenção e entende aquilo que sai dos alto falantes, mas a verdade é que parece que a grande maioria quer mesmo é aparecer e capitalizar com toda a exposição midiática do ato em defesa de Lula. Vale a lembrança: criminoso julgado justamente e condenado.

É impressionante com a política brasileira está em crise. Imaginem isso! Pré candidatos e políticos em pleno exercício de seus mandatos, fazem fila para mostrar que defendem alguém condenado por seus crimes de corrupção. E o que é pior, fazem isso porque acreditam que serão beneficiados ganhando mais votos da população.

O Brasil realmente não é para amadores!

Após ter passado o dia todo recebendo as mais diversas atualizações de todas as fontes possíveis, resolvi parar para e refletir um pouco. Pensei e acredito que Lula não precisaria ser preso.

Afinal de contas que risco ele pode causar para a sociedade?

Fora as mentiras em benefício próprio e o apoio como criminoso condenado a algum candidato, não há nada mais que um senhor de idade como Lula possa oferecer de risco à sociedade.

Mas a questão não diz respeito ao risco que o ex presidente possa causar para a sociedade, diz respeito ao cumprimento das leis. Apesar de não poder fazer mal maior do que expor sua vergonha publicamente, Lula deve ser preso, simplesmente porque é assim que está previsto na Lei!

Infeliz daqueles que esperneiam em defesa do condenado na esperança de reverter uma decisão legítima, vinda dos tribunais. Afinal de contas imaginem se depois todo esperneio os militantes conseguissem evitar a prisão de Lula?

O que resta da Democracia e do Estado de Direito neste caso?

Quando as leis e as decisões dos tribunais deixarem de ser cumpridas no Brasil ou em qualquer outro país democrático, estejamos certos de que o início do fim do Brasil começou.

Do ponto de vista do ex Presidente Lula acredito que seja muito difícil passar por esse tipo de situação. Imagem a contradição de sentimentos? Ao mesmo tempo que se manifesta, como para qualquer outro ser humano o instinto de autopreservação, dizendo que fuja e escape da cadeia, o ego interroga implacável: como ficaria sua biografia?

Fugir e não ser preso, eliminaria o mito da pretensa inocência, da injustiça de julgamento parcial e do golpe aplicado a ele. Fugir seria reconhecer que não há mais legado, que sua versão da história é a mesma de seus opositores. O simbolismo da prisão, do martírio e sacrifício do líder pela causa ideológica e a defesa de que tudo foi um golpe da elite, deixariam de existir.

Não pensem que Lula deixou de pensar em sua biografia. Afinal o que resta a um homem já em idade avançada senão sua história?

A angústia e o esforço em sufocar o instinto de fugir, dão lugar a toda ansiedade e angústia rumo ao cárcere. Assim preserva-se a biografia do homem, garantem-se os selfies, os Stories e demais peças alegóricas do mito, cuja função última se alinha muito bem com seu novo papel de figurante.

Tal como qualquer outro condenado, não há mais plateia disponível para escutar sua versão inventada dos fatos. Preso Lula entra no limbo. Sem utilidade intelectual, Lula transforma-se em um bibelô experimentando, a meu ver, algo muito mais danoso do que sua prisão. Inutilizado, abre espaço para o reconhecimento de sua falência profissional, sua retirada para o papel sem fala e inexpressivo do agora figurante de segunda categoria no roteiro da história do Brasil.

Uma pena realmente! Afinal de contas a expectativa gerada era de que o homem teria uma biografia digna de um mito! Pobre, trabalhador, sem educação, vencera a ponto de chegar a presidir a nação. O Self Made Man made in Brazil, uma história a ser festejada e contada nos livros história.

Ao contrário da expectativa, no entanto, o homem pobre, trabalhador e sem educação tornara-se nada além de mais um oportunista desonesto e auto interessado. Nada de preocupação com o povo, nem de conversas para “boi dormir” de que veio para ajudar aqueles que mais necessitam. Nada disso.

Ao virar a segunda página da biografia de Lula, veremos alguém disposto a sacrificar seus valores morais, por dinheiro, apartamentos e privilégios. Mito? Que nada, só apenas mais um tolo tentando se passar por esperto.

Ao terminarmos de ler a biografia de Lula teremos então a grande decepção!

Não há nada de esperto no personagem que inicia a história com a promessa de ser o grande mocinho da história do Brasil. O que há mesmo, é a triste revelação de que Lula foi, na verdade, apenas mais um dos muitos vilões que tiveram seus quinze minutos de fama (má fama!).

Antes de finalizar, vale a ressalva. Este post é uma opinião pessoal do autor e não reflete o pensamento dos demais componentes do Geekonomics.