O futuro dos wearables parece já ter chagado. O nome é complicado, mas a definição é simples. Werables são dispositivos que podemos “vestir” ou usar ligados diretamente ao nosso corpo.

Em artigo publicado esta semana na Revista Nature, uma série de pesquisadores desenvolveram um protótipo de werable para ser aderido à pele humana para monitoramento de parâmetros biológicos. Até aqui nenhuma novidade, mas o impressionante no artigo foi ver que o dispositivo eletrônico possui um conjunto de transistores esticáveis.

Isso mesmo! Vejam a foto.

Já pensou no impacto que a descoberta pode ter? Talvez seja um importante passo para termos em breve telas flexíveis ou quem sabe roupas e adesivos que pregados à nossa pele, irão nos monitorar 24 horas por dia.

O fato do dispositivo ser esticável, garante além de maior conforto, maior precisão nas medições dos parâmetros, diferente dos sensores atuais presentes no mercado. E imaginem o impacto para nosso comportamento relativo aos nossos cuidados com a saúde? Acredito que possa ser um dos maiores aliados para mudanças positivas no comportamento para o bem-estar!

Fonte: Revista Nature, março de 2018, página 156

E quando paro para pensar em como este tipo de tecnologia pode ser usado para intervenções comportamentais, vem a mente um mundo quase infinito de possibilidades. Monitoramentos de estados físicos como temperatura, batimentos dentre outros já são possíveis, porém com algumas ressalvas sobre sua precisão.

Mas imaginem se pudermos monitorar estados psicológicos? Sensações e sentimentos derivam de estados físicos, não possíveis de serem percebidos a olho nú. No entanto a ciência já estabeleceu correlações entre sinais físicos e estados psíquicos e comportamentais. Ter a possibilidade de medir e monitorar esse tipo de parâmetro, pode por exemplo ajudar no diagnóstico de estados precoces de depressão ou ainda, apresentar indicativos de perda de autocontrole ou queda na capacidade cognitiva.

Posso estar indo longe demais em minhas expectativas, mas a ciência tem mostrado que o limite não mais se limita às questões daquilo que seja possível fazer, mas sim do que podemos imaginar. Alguém de quem não me lembro o nome nem referência disse que “Se pudermos imaginar, podemos fazer!”. Guardadas as devidas proporções e insanidades, é bem possível que este seja o caso quando se trata de monitoramento e do uso de dispositivos eletrônicos como este desenvolvido pelos pesquisadores que publicaram o artigo na Nature.

Fonte da imagem: https://nerdist.com/latest-biohacking-trend-is-implanting-arc-reactors-under-your-skin/

É esperar para (ver) usar, porque já posso me imaginar com um destes adesivos esticáveis na pele. Para finalizar deixo abaixo um trecho da matéria publicada pela Nature aos mais curiosos.

Aproveite para ler e compartilhar sua opinião conosco! Adoramos debater temas interessantes como este.

Até a próxima pessoal!

Da Revista Nature, página 156. Artigo: Skin electronics from scalable fabrication of an intrinsically stretchable transistor array.

Trecho traduzido da Matéria:

“Eletrônicos que podem aderir perfeitamente à pele humana ou dentro do corpo são altamente desejáveis ​​para aplicações como monitoramento de saúde, tratamento médico, implantes médicos e estudos biológicos, e para tecnologias que incluem interfaces homem-máquina, robótica leve e realidade aumentada.

A renderização de uma eletrônica tão suave e esticável como a pele humana – tornaria-os mais confortáveis ​​de usar, e, por meio da maior área de contato, aumentaria a fidelidade dos sinais adquiridos da pele. A engenharia estrutural de dispositivos inorgânicos e orgânicos rígidos permitiu a capacidade de estiramento no nível do circuito, mas isso requer técnicas de fabricação sofisticadas e geralmente sofre de densidades reduzidas de dispositivos dentro de uma matriz.

Nós argumentamos que os parâmetros desejados, como maior deformabilidade mecânica e robustez, compatibilidade melhorada da pele e maior densidade do dispositivo, poderiam ser fornecidos usando materiais polímeros intrinsecamente esticáveis.

No entanto, a produção de materiais e dispositivos intrinsecamente esticáveis ​​ainda está em sua infância: esses materiais foram relatados, mas as eletrônicas funcionais, intrinsecamente esticáveis, ainda não foram demonstradas devido à falta de uma tecnologia de fabricação escalável. Aqui descrevemos um processo de fabricação que permite alto rendimento e uniformidade de uma variedade de polímeros eletrônicos intrinsecamente esticáveis. Demonstramos uma matriz de transistor de polímero intrinsecamente esticável com uma densidade de dispositivo sem precedentes de 347 transistores por centímetro quadrado.

Os transistores têm uma movimentação média de carga-suporte comparável à do silício amorfo, variando apenas ligeiramente (dentro de uma ordem de grandeza) quando submetida a uma tensão de 100 por cento para 1.000 ciclos, sem histerese de corrente-tensão. Nossas matrizes de transistores constituem, portanto, eletrônulas de pele intrinsecamente esticáveis, e incluem uma matriz ativa para matrizes sensoriais, bem como elementos de circuito analógico e digital. Nosso processo oferece uma plataforma geral para incorporar outros materiais poliméricos intrinsecamente esticáveis, permitindo a fabricação de dispositivos eletrônicos de pele esticável de próxima geração.”

FONTE: Revista Nature, março de 2018: Skin electronics from scalable fabrication of an intrinsically stretchable transistor array.