Para a economia tradicional sempre existiram dois fatores básicos de impulso à produção: o capital e o trabalho. Quer incrementar a produção? Coloque mais dinheiro ou aumente a quantidade de pessoas ou horas de trabalho em suas empresas! Isto ainda é verdade, no entanto, capital e trabalho tem deixado de ser os dois principais impulsionadores da produção.

A Inteligência artificial (IA) ou no termo em inglês, Artificial Intelligence (AI) tem apresentado a diversos setores produtivos um ferramental que possibilita incrementos substanciais na produção.

Tecnologias emergentes em AI já dão conta de tarefas antes exclusivamente restritas à mão de obra humana como por exemplo, atividades onde eram necessários reconhecimentos visuais, compreensão linguística ou mesmo decisões baseadas em resultados numéricos ou parâmetros estabelecidos.

Fonte: Rotman Management, winter 2018 – The Future of Growth: AI Comes of Age

A figura acima mostra algumas tecnologias emergentes que já estão fazendo uma revolução no que se trata de impulso produtivo. São tecnologias já presentes em nosso cotidiano de forma simples, mas que tem alcançado patamares surpreendentes aumentando cada vez mais sua capacidade de executar tarefas cada vez mais complexas.

Muito se tem falado que isto levará o mercado a eliminar muitos postos de trabalho, o que particularmente eu concordo. No entanto existe outra forma de pensar. Do mesmo modo que tecnologias e atividades produtivas foram se transformando ao longo da história, a inteligência artificial vem aos poucos transformando nossos dias atuais. E do mesmo modo que atividades como a de uma tipografia, por exemplo, foram desaparecendo com o surgimento das gráficas modernas e das impressoras pessoais, algumas atividades também desaparecerão.

Mas não se alarmem demais com isso. Ao mesmo passo que algumas atividades desaparecerão, surgirão outras novas. Afinal nossas preferências e gostos também vão mudando. Mais importante do que se preocupar com as profissões ou empresas que irão desaparecer, temos que nos preocupar com aquelas que estão surgindo.

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/how-stimulate-innovation-modern-organization-daniel-arak

Não é à toa que se tem discutido temas como idade mínima para aposentadoria, mudanças estruturais no ensino, flexibilização das leis trabalhistas e do próprio trabalho. O surgimento do teletrabalho, home office e toda a mobilidade, nos permite hoje maior autonomia profissional e liberdade para fazer de nosso trabalho aquilo que bem entendermos.

É verdade que a transformação do trabalho e da educação irão entregar maior liberdade. No entanto vão cobrar o seu preço e este não será pequeno. O ideal de estabilidade, educação com prazo de início e fim e aposentadoria aos 50 ou 60 anos tendem a serem cada vez mais restritos. Somos uma espécie que é boa em aprender e a chegada da AI vai nos forçar a aprender ainda mais e de forma contínua.

Para mim resta uma certeza apenas: a AI veio mesmo para ficar e teremos que nos adaptar a ela e ao novo mundo que ela irá criar. Por outro lado, muitas dúvidas ainda pairam no ar. Vou perder o emprego ou o emprego vai deixar de existir? Vou trabalhar mais ou menos? Vou receber mais ou menos? Vou viver mais ou menos? Vou viver uma vida melhor ou pior? Vou ser ou menos feliz?

É claro que não tenho resposta para estar perguntas. No entanto algumas coisas já estão bem claras para mim: – Pode ser que meu emprego desapareça, mas já estou aprendendo coisas novas:

– Vou trabalhar mais, certamente. No entanto escolhi trabalhar naquilo que gosto e mesmo sendo batido e piegas acredito e concordo com um desses autores de autoajuda de quem não lembro o nome que: “Faça o gosta e não precisará trabalhar um dia sequer.”.

– Não se trata de quanto vou receber, se menos ou mais. Trata-se do quanto eu preciso receber para ter uma vida digna. Neste ponto também é verdade e provavelmente deve ser outra frase de um autor de autoajuda, que rico ou pobre depende mais do comportamento do que do quanto ganhamos.

– Vou viver mais, mas para isso terei que fazer o dever de casa, que está atrasado, diga-se de passagem. Hábitos mais saudáveis e estilos de vida mais adequados a cada faixa etária ao longo do tempo terão que ser seguidos. Não existe almoço grátis!

– Acredito que a vida será melhor. O motivo? Pode ser que eu um otimista. Pode ser também que esteja vendo como nunca, uma preocupação maior com o bem-estar coletivo. É verdade. Muitos estão preocupados com os outros. Empresas tem repensado seu papel social e sua responsabilidade socioambiental e aquelas que não tem tido cuidado com estas variáveis têm sido ostensivamente cobradas e preteridas pelos consumidores;

Não sei se serei mais feliz, no entanto creio que se seguir os planos traçados acima, minhas chances aumentam muito. O que sobra, como disse acima é um certo otimismo consciente. Otimismo porque parece que existem mais pessoas e organizações querendo que o mundo fique melhor. Consciente, porque sei que a melhora cobrará seu preço e que tenho responsabilidade pelo resultado e, por conseguinte, pelo meu sucesso e minha felicidade.

Bom final de semana para todos! E até a próxima pessoal!