As notícias estão por toda parte e você também deve ter visto: de acordo com o IBGE, a inflação oficial no Brasil ficou em 2,95% em 2017, o menor nível desde o início do Plano Real. O patamar baixo da elevação de preços deveria ser motivo de comemoração!!! Não faz muito tempo, em 2015, terminamos o ano com a inflação em 10,67%. Mais do que o dobro da meta do Banco Central de 4,5%. Se voltarmos algumas décadas, mas ainda dentro do período pós Plano Real, encontramos inflação ainda maior, de 22,41% em 1995.

Mas então porque tanta gente segue reclamando do nível de preços? As notícias de aumentos recorrentes como os da gasolina também estão por todo lado. Então quem está certo? As estatísticas do governo estão erradas ou deixam de levar algum produto em consideração? Ou todo mundo reclama mesmo por esporte?

Fonte: Folha de SP http://m.folha.uol.com.br/mercado/2018/01/1949240-mesmo-sem-ajuda-de-alimentos-inflacao-deve-seguir-comportada.shtml

A verdade é que todos estão certos e todos estão errados! Oi???

Pra começar essa explicação, vamos falar de como se mede a inflação. O instituto de pesquisa (seja ele o IBGE, a FGV ou a FIPE) define qual o tipo de inflação quer medir. Será que queremos medir a inflação do consumidor ao invés de medir a inflação no atacado? Se sim, qual consumidor: o mais humilde ou o que ganha melhor? Em seguida são definidos de maneira criteriosa os produtos e serviços que esse público consome para que os preços sejam pesquisados e incluídos no índice. A cesta de consumo pesquisada inclui, portanto, os gastos feitos pelo público alvo, com os pesos correspondentes ao gasto mensal. Vamos a um exemplo, no IPCA, calculado pelo IBGE: são pesquisados mensalmente uma cesta de consumo de brasileiros que tem renda de até 40 salários mínimos.

Ou seja, este índice de inflação é uma média da variação dos preços dos produtos comprados por esses consumidores.

E esse é o primeiro motivo para que as pessoas sintam que a inflação baixa não seja representativa dos preços que a sua família compra. Cada pessoa tem uma inflação própria que corresponde a seus gastos pessoais. Mas a inflação oficial que vemos no jornal é uma média. E não poderia ser diferente. Imagina o governo fazendo análises de conjuntura em cima dos gastos do João, do José, do Pedro…..

Além disso, nossa avaliação sobre um determinado assunto parte de algumas âncoras. E o brasileiro já viveu uma situação de inflação extremamente elevada. Para ser mais específica, nos anos 80 os preços dobravam em menos de dois meses e a inflação anual chegava a quatro dígitos. Quem viveu essa fase tem lembranças muito ruins do descontrole da moeda.

Imagine a dificuldade de quem viveu este período de mudar a cabeça e entender que estamos em um período duradouro de inflação menor?

E como temos, cada um de nós, gastos próprios que fazem grande diferença no nosso orçamento, não é nada incomum que esses marquem a nossa memória muito mais do que os preços comportados. A gasolina subiu de novo, o ônibus aumentou??? Pra quem se desloca todos os dias para trabalhar, essa variação de preços estará muito mais presente no pensamento do que aquele gasto com vestuário por exemplo.

Damos mais importância ao que está no nosso dia a dia (e principalmente ao que nos marca nos nossos gastos frequentes) do que ao pensamento que abarca conceitos mais gerais, de itens que não tem muito a ver com o que a gente de fato usa.

Há também um erro de conceito com relação à diferença entre inflação e nível de preços. Quando a inflação apresenta uma queda (de quase 11% para 3%) não quer dizer que há uma queda do valor que pagamos pelos serviços e produtos. Apenas que os preços crescem de maneira mais lenta, ainda que a variação siga positiva. Assim, os preços que cresciam, na média, mais de 10% ao ano em 2015, crescem agora cerca de 3%. Está dentro da meta do Banco Central, mas não quer dizer que o nosso salário pode comprar mais do que comprava no mês passado!