Profissionais as vezes podem se comportar de maneiras irracionais. Um dos comportamentos mais comuns, seja em âmbito da execução seja na tomada de decisões, é adotar postura onde compromissos são assumidos sem que haja efetivamente condições técnicas do profissional ou emocionais para entregá-lo.

Temos sempre que lembrar que somos seres de racionalidade limitada. A foto abaixo ilustra um caso onde a racionalidade limitada está muito evidente. Vocês devem lembrar deste caso que aconteceu e, 2012. Uma restauradora contratada para restaurar uma obra do século XIX, protagonizou um dos casos mais bizarros de que tenho conhecimento.

Demonstrando talvez excesso de confiança ou quem sabe até mesmo irresponsabilidade, a mulher, uma espanhola de oitenta anos, foi selecionada e aceitando o trabalho, foi protagonista de um verdadeiro desastre.

O resultado, foto abaixo, fala por si mesmo.

Comparando a tela original com o resultado pós restauração, é impossível não perceber o resultado grotesco do trabalho quando comparado à pintura original em que a “profissional” executou o trabalho.

Mas não pense que é um caso isolado e restrito a profissionais irresponsáveis ou irracionais que aceitam trabalhos sem ter a habilidade necessária para executá-los.

No dia a dia de trabalho, muitas vezes assumimos determinadas responsabilidades e ofícios que não estamos muito seguros para executar. É normal e importante para nosso crescimento profissional aceitarmos o desafio.

Penso que não exista outra forma de crescermos enquanto profissionais, sem aceitar desafios em áreas desconhecidas ou naquelas que possamos não ter a experiência suficiente.

Como então podemos proceder? Aceitamos desafios e corremos o risco de “borrar” nossa imagem profissional? Ou impomos um limite a nós mesmos e recusamos o trabalho?

Vou ser bem honesto eu não gosto de recusar nada relacionado a trabalho. Sempre tive um perfil de assumir e me virar para adquirir o conhecimento. Claro que não sou nenhum maluco por completo.

Quando algo que penso estar além do conhecimento que tenho aparece, eu avalio de acordo com alguns critérios que eu mesmo estabeleci e então respondo. Vou compartilhar meus critérios com vocês, mas antes, vamos entender um pouco a respeito do Viés de Excesso de Confiança?

O efeito de excesso de confiança é observado quando a confiança subjetiva das pessoas em sua própria capacidade é maior do que o desempenho objetivo (real).

O excesso de confiança é semelhante ao viés de otimismo quando os julgamentos de confiança são feitos em relação a outras pessoas. Uma grande variedade de questões tem sido atribuída ao excesso de confiança, incluindo as altas taxas de empresários que entram em um mercado apesar das baixas chances de sucesso (Moore & Healy, 2008).

A falácia do planejamento é outro exemplo de excesso de confiança, onde as pessoas subestimam o tempo que levará para completar uma tarefa, muitas vezes ignorando a experiência passada (Buehler, Griffin e Ross, 1994). (Via Beravioral Economics).

Agora que já vimos sobre o excesso de confiança, estou mais à vontade de assumir que eu provavelmente sofro bastante com esse viés. Alguns outros membros aqui do Geekonomics podem comprovar rsrsrs.

Para evitar tragédias como aquela da restauração do quadro, toda vez que me deparo com algum desafio profissional ao qual penso não estar perfeitamente preparado para realizar, eu uso o seguinte checklist antes de aceitar ou recusar o desafio:

1 – A tarefa é ou está diretamente ligada à minha área de formação e estudo?

2 – Entendo conceitualmente o que está por detrás dos conhecimentos que irei necessitar para executar a tarefa?

3 – Qual nível de risco envolvido na tarefa? Consigo de alguma forma mitigar ou reduzir estes riscos? (chamando alguém com conhecimento para participar ou ser meu mentor?)

4 – Os conhecimentos que precisarei incrementar em minha formação podem ser usados em outros trabalhos e diretamente na minha rotina profissional atual?

5 – A remuneração pelo trabalho compensa o risco?

Estas são as perguntas básicas que faço para aceitar ou rejeitar qualquer trabalho que não esteja diretamente ligado às competências técnicas que possuo.

Avaliando estas cinco perguntas evito perder desafios que me fazem crescer, assumo novas responsabilidades com responsabilidade e ainda posso ganhar algum dinheiro com isso.

Não é fácil assumir novas responsabilidades, ainda mais quando estas fogem um pouco de nossos conhecimentos mais corriqueiros. No entanto se fizermos com responsabilidade, acredito ser este um dos melhores caminhos para o crescimento profissional.

Afinal, penso que ter um pouco de excesso de confiança não faz mal a ninguém, a não ser que você seja um restaurador de obras de arte kkkkkkk.

Até o próximo post pessoal!