Será que a memória pode estar sabotando nosso planejamento?

Estamos no começo do ano e está na hora de definir as metas de trabalho que você percorrerá nos próximos 330 dias. Vou propor a você um exercício bem rápido. Pense nos projetos e objetivos com os quais vai se comprometer em 2018 e, de 0 a 10, diga o quanto você está seguro de realiza-los.

Agora responda as perguntas abaixo.

Aconteceu algum imprevisto no último ano que tornou seu trabalho mais complexo?

Alguma vez você adicionou itens aos seus projetos considerando que não iriam gerar impacto nas suas atividades?

Quantas vezes você precisou correr para fazer uma entrega que pensou que concluiria rapidamente?

A sua nota se manteria? É provável que enquanto você respondia esse pequeno questionário tenha pensado em reavaliar seu acordo com a gestão… O que pode ter influenciado sua convicção? suas experiências históricas para planejar suas metas, talvez?

Realmente fazemos projeções a partir de vivências passadas.

O problema é que nossa memória não é como um documentário onde os fatos que vivenciamos são reproduzidos. Ela é uma roteirista que ordena as cenas interessantes para fazer com que o protagonista tenha um final feliz.

Nesse processo de edição, a memória corta as cenas menos interessantes, ou seja, os detalhes (especialmente os negativos) deixam de fazer parte da história. Além disso, as cenas são encaixadas umas nas outras para que o filme seja coerente e os tropeços do personagem principal sejam justificados ou minimizados.

Quando “assistimos” a essa lembrança hollywoodiana nos vemos como super-heróis e tendemos a nos sentirmos mais confiantes do que realmente somos. As consequências são conhecidas: cronogramas atrasados, orçamentos estourados ou redução do volume de entregas.

Para diminuir o excesso de confiança, levantar mais e melhores informações não parece ser muito efetivo. É preciso desconstruir a história que sua memória construiu. Uma boa maneira de fazer isso é através de um pre mortem. Pode parecer complicado, mas não é.

Imagine que você está no fim do ano, que implantou os projetos como estão estruturados hoje e que o desfecho foi lamentável. Depois escreva a história dessa tragédia.

Isso não vai evitar que você se depare com imprevistos, mas pode ajudar a lidar melhor com as dúvidas e a identificar possíveis ameaças que não haviam sido consideradas antes.

Que venham os desafios!