Quer uma prova objetiva da irracionalidade do ser humano? A venda deste quadro de uma só vez serve para derrubar o mito da racionalidade e a Teoria Utilitarista.

A tela de Leonardo Da Vinci retratando Cristo com uma esfera de cristal na mão é a obra de arte mais cara já vendida na história —US$ 450,3 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão, foi o preço pago por ela num leilão em Nova York nesta quarta-feira (15).

Como ficam os utilitaristas?

Segundo a Wikipédia… (Nunca sei se abro ou não aspas para citar a Wikipédia rsrsrs. Na dúvida vou incluir).

“A doutrina do utilitarismo viu a maximização de utilidade como um critério para a organização moral da sociedade. De acordo com os utilitaristas, como Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1876), a sociedade deve ter como objetivo maximizar a utilidade total de indivíduos, apontando para “a maior felicidade para o maior número de pessoas “. Numa outra teoria, de John Rawls (1921-2002), a sociedade teria o papel de maximizar a utilidade dos indivíduos que inicialmente recebem um montante mínimo de utilidade.”

Wikipedia

Pelo visto a organização moral da sociedade terá que seguir rumo diferente àquele pensado pelos utilitaristas. E o conceito de utilidade terá que ser redefinido.

Difícil mesmo é pensar em como um quadro pode ser útil a ponto de ser vendido por U$450,3 milhões de dólares? Eu tenho algumas ideias aqui. Vamos colocar um peso na contemplação e fama histórica (mito) de pintores ou pessoas notáveis nos modelos econômicos…

Nada disso! A verdade é que o valor pode estar ligado à escassez, a exclusividade ou simplesmente ao status. Isso explicaria razoavelmente bem o preço da obra de arte. Afinal não é todo dia que vemos à venda um quadro pintado por Da Vinci. Em economia costuma-se dizer que os desejos humanos são praticamente infinitos, no entanto, os recursos disponíveis são sempre limitados. O caso da obra de Da Vinci contesta de certa forma a máxima. Pessoas têm desejos ilimitados e alguns têm também recursos praticamente ilimitados.

Possuir recursos financeiros suficientes para não encontrar algo que lhe seja impossível ou desafiador o bastante para adquirir pode ter um efeito reverso na satisfação que grandes somas de dinheiro causam naqueles que são irracionalmente milionários. É como o exemplo gastronômico. A princípio, mais comida é sempre melhor do que menos comida. NO entanto há um limite em que quantidades adicionais de comida, começam a me trazer menos satisfação. Isso ajudaria a explicar porque alguém se disporia a pagar os muitos milhões num quadro em que a utilidade não vai além da contemplação.

O excesso de recursos financeiros é tamanho que em determinando ponto ele serve apenas para que seja possível fazer compras ou ter comportamentos irracionais como arrematar um quadro velho por U$450 MILHÕES.

Dessa forma aqueles com recursos financeiros “ilimitados” certamente encontram mais utilidade no status. Status de ter entre seus pertences, uma obra única, feita por um dos seres humanos mais notáveis de todos os tempos: Leonardo Da Vinci. Opinião pessoal minha, além da ostentação, pode até ser que haja algum mecanismo mental agindo aí. Um mecanismo que vai além do status, colocando a pessoa num estado em que a mesma, inconscientemente se apropria de toda notoriedade do próprio Da Vinci. Isso pela simples posse do quadro.

Depois de tudo isso acho que eu mesmo vou procurar reforçar meus componentes de racionalidade limitada e meu sistema dois. Quem sabe terei um comportamento mais bem calibrado para minha realidade. Afinal, guardadas as devidas proporções todos podem sofrer do mesmo mal daquele que agora tem a tela de Da Vinci.  Essa discussão está ficando perigosa tendendo mais ao surreal do que o próprio leilão rsrsrsrs.

Que o bigode de Salvador Dali nos proteja do que está por vir!