Não me perguntem como eu me inspirei para escrever este texto. A melhor parte do Geekonomics é ter liberdade para criar hipóteses às vezes sem aparente relação, mas que pode nos gerar boas discussões. O ponto que quero descrever hoje é sobre uma relação feita entre a regra do pico fim e o orgasmo. A regra do pico fim funciona da seguinte forma: não é a experiência em si que vai fazer você agradar ou não em uma situação e sim sua lembrança do ponto mais extremo ao fim do episódio (Kahneman & Tversky, 1999) Para chegar a esta conclusão, os cientistas citados fizeram um experimento com pacientes que fariam colonoscopia, o fato ocorreu na década de 70 nessa época a experiência era pior que nos dias de hoje. Eles relatariam a cada minuto a intensidade da dor que sentiam e ao final eram questionados se retornariam a realizar aquele exame. Gráfico que demonstra os pacientes:
Como pode ser visto o eixo Y, mostra a intensidade da dor do paciente, o paciente A e B praticamente sentiram a mesma intensidade de dor, porém o paciente B foi exposto a uma quantidade de tempo maior de dor, eixo X. Quando perguntados se eles retornariam a fazer o exame: a resposta do paciente A foi negativa, mas para o paciente B foi positiva!!!! E aí está o pulo do gato, quando adotamos uma narrativa para nossas experiências não é o tempo da experiência que conta, este ponto é praticamente ignorado, o que conta é a lembrança formada ao final da experiência. Se você observar no gráfico a memória de B, formada ao final da experiência, relata uma intensidade menor de dor que a memória de A e aí está a regra do pico fim. O momento que se forma a memória ao final da experiência é crucial para o relato da mesma, portanto uma intensidade menor para B o faz relembrar a experiência de maneira mais branda que A.
O orgasmo masculino dure em torno de 8 segundos e o feminino por volta de 20 segundos¹. Salvo exceções e outras modalidades que não vem ao caso, usarei estes tempo para citar a hipótese. Considere que o mesmo paciente A logo acima seja um homem e o paciente B seja mulher. Considere também que o eixo Y agora representa prazer, liberação de neurotransmissores responsáveis para tal, e o eixo X os segundos. O leitor atento já deve ter entendido em que ponto quero chegar.
“Por motivos ‘científicos’, fiz a pergunta indiscreta para saber se a intensidade feminina ia caindo aos poucos ou possuía uma queda brusca, de posse da resposta que ‘caia aos poucos’ formulei a hipótese”. Ou seja, um simples relato de experiência… Rafael Jordão

Ora, se o orgasmo do homem tem uma intensidade grande e termina quase que de forma abrupta- acompanhado de sono-  a memória formada é no pico do prazer. Se a intensidade feminina cai aos poucos ao longo de um tempo maior, a memória feminina pode ser formada em uma intensidade menor que a do homem. O que quer dizer que ambos podem ter memórias diferentes para a mesma situação e por consequência relatos de experiências distintos. Não estou aqui fazendo juízo de valor de que isso justifica um gostar mais do ato ou não, pois as individualidades são tantas que em um post aqui não conseguiríamos falar. O que deve ser mostrado aqui é que com base em um estudo voltado para a dor podemos nos inspirar para mais uma das inúmeras diferenças corporais e biológicas que nos seguem. E obviamente estou abrindo é para uma discussão, não há dados científicos que provem esse meu ponto de vista. Assim, acredito que a Economia Comportamental (EC) nasceu de área distintas, psicologia e economia, e muitas vezes flertar com outras áreas pode e deve ser visto com bons olhos. Aqui faço apenas uma provocação, se psicólogos e economistas não as fizessem estariam cada um em sua caixa e esse campo genial da EC provavelmente nunca teria surgido. Fica aberta a discussão.  FONTE: ¹ https://www.theguardian.com/observer/comment/story/0,6903,436458,00.html