Com a crise no mercado de crédito, consumidores voltam a aumentar demanda por consórcios para aquisição de veículos. Consórcio é uma opção que pode mascarar muito a operação financeira, deixando aqueles que optam pela modalidade com ilusão de poupança e de comportamento conservador.

Diferente daquilo que os vendedores, propagandas e administradoras de consórcio pregam, adquirir um consórcio não pode ser considerado como um comportamento de poupança. Apesar de fornecer mecanismo que ajuda no autocontrole, os consórcios são produtos financeiros que se aproximam mais de financiamentos do que de aplicações para poupar recursos financeiros.

Consórcios tem característica muito semelhante ao que enriqueceu o empresário Silvio Santos. Se pensarmos de maneira mais crítica, veremos a diferença que essa modalidade de crédito apresenta sendo completamente diferente de qualquer produto de investimento. Gosto de pensar que consórcios são semelhantes ao carnê do Baú da “Felicidade”.

Silvio Santos teve a “genialidade” e a engenhosidade de vender algo para entrega à prazo com pagamento parcelado. Pensem bem, é razoável pagar antecipadamente para comprar algo que será entregue a prazo? Para ficar mais claro vou exemplificar. Comprei um celular, parcelei em 10 parcelas (era um iPhone kkkk), iniciei o pagamento hoje, mas o celular eu recebo somente em daqui a 10 meses. Não parece ser uma atitude sensata comprar algo dessa forma, parece?

Imagina comprar o iPhone 7 e mesmo antes de recebê-lo em casa, já ter a notícia de que o novo iPhone saiu? Pior seria saber que o valor do iPhone 7 que você comprou, caiu pela metade, uma vez que já está ultrapassado. Isso nem de longe se aproxima de uma atitude razoável de consumo.

No antigo carnê do Baú, a pessoa pagava as mensalidades para ter o direito de concorrer aos prêmios que eram sorteados nos programas Silvio Santos. Caso não fosse sorteada, a pessoa que pagou antecipadamente o carnê, poderia ir até uma loja do Baú e retirar produtos com base nos pagamentos que fizera. A princípio parece uma boa, porém além de pagar primeiro antes de retirar um bem qualquer, o consumidor nem mesmo sabia ao certo o que poderia adquirir. Não raro o saldo era trocado por produtos desnecessários e de má qualidade a preços muito superiores aos de mercado.

Com o consórcio é mais ou menos a mesma lógica, você paga antecipado para ter direito a participar de sorteios, o que causa uma ilusão de você pode receber o bem logo se tiver sorte. Para fazer essa operação a administradora do consórcio, cobra uma taxa, menor que a do financiamento, CLARO! Mas é aqui que as coisas ficam claras. É aqui que consórcio se torna financiamento e não investimento ou poupança.

Não faz sentido financeiro chamar de poupança ou inv estimento um prpoduto financeiro que cobra uma taxa para “armazenar” seu dinheiro e não lhe paga nenhum centavo de rendimento. Isso, novamente, não é razoável!

Razoável é poupar e receber rendimentos sobre o montante poupado. Você abre mão de poupança para pagar um financiamento de algo que será seu sabe-se lá quando. Consórcios apropriam renda dos consumidores que fica bloqueada até que o cotista do mesmo seja sorteado.

No meio do caminho havendo qualquer imprevisto, o dono do consórcio não consegue sacar o montante já pago, o dinheiro fica preso. Além disso ele sofre uma perda considerável nas chances de ser sorteado, pois hoje em dia as administradoras, privilegiam com maior probabilidade aqueles que pagam em dia e que dão lances altos.

Então pense bem. Consócio é uma modalidade de poupança financiamento que:

1 – Prende seu dinheiro durante todo prazo do consórcio;

2 – Não paga rendimentos sobre montante aplicado

3 – Não garante acesso ao seu dinheiro em caso de emergências financeiras;

4 – Promete te entregar algo num futuro que você não tem a menor ideia de quando será, pois depende de sorteio ou de você aportar mais dinheiro para sacar antecipado (lançe).

É hora de você criar gatilhos para evitar perda de autocontrole que sejam mais eficientes. Se seu projeto é comprar um carro, selecione uma aplicação financeira que dê rendimentos e não que lhe cobre (desconte) juros, taxas, tarifas ou o que quer que seja. Se o problema é pagar regularmente evitando desgaste emocional de cada decisão mensal em poupar, programe aplicações automáticas em fundos de investimento. Dessa forma você ajuda o autocontrole e o seu bolso.