As instituições financeiras, em geral, apresentam uma quantidade bastante significativa de nudges para seus correntistas. Listo algumas que recebo semanalmente: – avisos sobre fraudes eletrônicas, através de SMS; – avisos sobre pontos do cartão que estão prestes a expirar; – acúmulo do meu saldo em conta corrente com o saldo pré-aprovado de cheque especial, sendo o valor apresentado de forma consolidada; – simuladores de financiamento para pagamento parcial da fatura do cartão de crédito;

– seguro de cartões (crédito/débito) sendo oferecido como default na contratação.

Dentre eles, há nudges benéficos sob a ótica do correntista, como os que alertam para fraudes, por exemplo. Neste caso, o envio de alertas pelo celular garante que o cliente receberá a mensagem, cuja função é tornar saliente um perigo que muitas pessoas simplesmente negligenciam (“não vai acontecer comigo”). Para isso, o nudge age sobre a heurística de disponibilidade, fazendo com que pensemos mais sobre esse problema e tornando nossa percepção sobre ele mais aguda. Fazendo uma breve análise, temos aí um mecanismo que busca ativar um comportamento desejado (precaução na utilização do internet banking) de forma consciente (usuário toma medidas ou muda hábitos) para promover a segurança de dados online.

Por outro lado, há nudges que apelam para táticas cognitivas, a fim de estimular o consumo de produtos financeiros oferecidos pela instituição que não necessariamente são do interesse do cliente. Um exemplo é a questão do cheque especial: quando acesso o internet banking, opção de conta corrente, o banco apresenta um valor consolidado que, na verdade, não é o total que tenho disponível no momento, mas sim o acúmulo do meu saldo real, com um limite “pré-aprovado” de cheque especial:

Aqueles que não controlam de perto as movimentações financeiras ou os mais distraídos podem perceber a sutileza tarde demais, pois esse montante pode ser usado deliberadamente, sem qualquer tipo de contato prévio com a instituição –  não há restrições para que o cliente faça um saque imediato em um caixa eletrônico, por exemplo. As taxas referentes a sua utilização, contudo, não são tão salientes, precisando ser acessadas em links específicos ou através de uma ligação para a central de atendimento do banco ou para a gerente da conta.

De certa forma, o segundo exemplo cai na discussão que tivemos anteriormente, sobre os limites dos nudges. Educação financeira, noções básicas de cálculo de juros compostos e uma boa dose de atenção são imprescindíveis para não cair no “empurrãozinho” do banco.

Como bancos tem usado?

Crédito:

Texto escrito por Tiago Rodrigo aluno do MBA de Economia Comportamental da ESPM.