Theresa May’s Brexit speech (Discurso de Theresa May) acontecendo agora e pode revelar que Brexit foi, mesmo sem querer, a melhor estratégia econômica para o Reino Unido!

Alguns especialistas em negociações internacionais vêm comentando que negociação para o Brexit, é a mais importante para o Reino Unido (UK) desde a Segunda Guerra Mundial (WWII).

Em tom conciliatório e moderado, Theresa May menciona a importância em manter acordos comerciais com a União Europeia. Mas será que há risco de o Reino Unido sofrer retaliações comerciais dos demais países do Bloco?

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Acho pouco provável. Dessa forma, o que parecia um apocalipse econômico pode se transformar numa das melhores estratégias econômicas da atualidade.

Ao sair, o Reino Unido assume pleno controle de sua política monetária. Com isso não será obrigado a ajudar países perdulários e prevaricadores, como a Grécia. Terá ainda maior controle sobre o mercado de trabalho e maior controle de suas fronteiras. Se tiver sorte e boa articulação para negociar, poderá ainda manter nível intenso de comércio, com a União Europeia.

Está bom para vocês? Para mim está ótimo!

Se conseguir bons acordos de cooperação, e tudo indica que vai, Theresa May sai dessa muito melhor do que entrou.

O que pareceu inicialmente apenas um acidente de percurso com guinada para o conservadorismo nacionalista, pode passar a ser uma das maiores estratégias econômicas do mundo contemporâneo.

É claro que tudo isso são especulações minhas. Entretanto se fosse apostar, daria um sonoro “all in” para um resultado muito favorável ao Reino Unido pós Brexit.

Digo isso, pois penso no Brexit analogamente como um grande dilema cooperação-competição em mercados concorrenciais. Você deve estar me achando louco, certo? Vou explicar meu ponto de vista.

Apesar de ser em essência um bloco de cooperação, é possível pensar na União Europeia como um grande oligopólio. E como todo oligopólio, em algum momento, os benefícios da cooperação podem ser menores do que as vantagens em romper com o conluio.

Vejamos então algumas das principais “vantagens” atuais para o Reino Unido:

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– Mobilidade de mão de obra que aumenta a concorrência no mercado de trabalho para o UK

– Acordos comerciais: Ao mesmo tempo que exporta muito para a União Europeia, o Reino Unido também importa bastante. Com isso, vejo equilíbrio na relação que fortalece o Reino Unido na negociação para manter os termos comerciais, mesmo pós Brexit. Afinal o Reino pode perder exportações, mas os demais países podem perder caso haja queda nas importações.

– SOS do Banco Central Europeu: esse caso não é o caso do Reino Unido. Pelo menos não por agora. Afinal a economia e a moeda estão longe de serem os piores do bloco e as reservas são estáveis e suficientemente grandes para períodos de maior estresse econômico.

reino-unido-brexit-reservas-internacionais-graficoFonte gráfico: http://pt.tradingeconomics.com/united-kingdom/foreign-exchange-reserves

– Aumento de oferta de mão de obra que reduz os salários com impacto negativo no consumo;

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Os cidadãos britânicos tiveram o maior declínio de seu rendimento real em três décadas durante o ano fiscal encerrado em março de 2011, com os ricos sendo os mais atingidos, de acordo com um instituto de pesquisa privada.

O Instituto para Estudos Fiscais disse que a renda média das famílias, após contabilizar a inflação, recuou 3,1% na comparação com o ano fiscal anterior, o mesmo nível observado em março de 2005. Surpreendentemente, a renda média aumentou no ano fiscal encerrado em março de 2009 e nos 12 meses até março de 2010, devido à menor taxa de inflação, juntamente com o aumento do desemprego e outros benefícios sociais.

As informações são da Dow Jones (http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,renda-media-das-familias-do-reino-unido-cai-3-1-no-ano-fiscal,116097e)

– Aumento da concorrência com países vizinhos. Integração incrementa concorrência e estimula déficit no balanço de pagamentos com países menos desenvolvidos do bloco;

Como visto, a integração econômica, juntamente com as demais premissas do Bloco, num primeiro momento trouxe benefícios. Mas na medida da desigualdade existente entre os países membros, esses benefícios foram se esvaindo.

Muitos são os motivos para deterioração dos benefícios do bloco para o Reino Unido. Mas se pudesse destacar aquele mais impactante, eu destacaria a prevaricação de países como Grécia, Espanha e Itália. Prevaricação em cumprir com as metas da integração e falta de responsabilidade na gestão de suas finanças.

Num contexto onde vários países atravessam crises sérias referentes aos balanços de pagamentos, gestão de dívidas públicas e previdência social, a integração apenas ajudou a punir aqueles que estão mais equilibrados e com economias mais fortes.

Como alguns países vem atravessando crises sistêmicas, a integração deixou de ser um benefício e passou a ser um ônus para países como Reino Unido e Alemanha. Isso determina o incentivo para romper com o Bloco.

É também notória a correlação entre a insatisfação com a economia e a tendência a um comportamento detrator dos britânicos em relação ao Bloco. Um artigo escrito pelo professor Gylfi Zoega da Universidade da Islândia correlacionou esses fatores.

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Fonte: http://voxeu.org/article/brexit-economic-prosperity-and-voting-behaviour

Por tudo isso, comparo a situação do Reino Unido pós Brexit como a situação de uma empresa que em situação de conluio ou oligopólio, resolve furar o acordo e agir de maneira independente dos demais “parceiros”.

Fazendo analogia com o dilema cooperação-competição em mercados concorrenciais, vemos que o Reino Unido enfrentava uma situação onde o dilema seria:

  • Cooperar tacitamente em benefício do bloco onde alguns países prevaricam constantemente ou;
  • Competir agressivamente tomando postura independente em termos políticos utilizando seu poder econômico para manter o nível de integração apenas em âmbito comercial com o Bloco.

É claro que à época do Brexit essa estratégia parece que não estava em questão. Afinal o resultado do plebiscito era incerto. Passado o susto da opção pelo Brexit, é de se esperar que Theresa May aproveite a oportunidade.

Imaginem que ótimo para o Reino Unido. Sair da União Europeia e completa autonomia política e mantendo os atuais níveis comerciais com o bloco?

Nada mal a meu ver se estiver certo, este pode ser o começo do fim da União Europeia.

O tempo dirá se acertamos ou não.