Toda vez que chega o período eleitoral me pergunto se o sistema de eleição proporcional vigente facilita ou dificulta a vida de nós que votamos, na hora de fazermos nossas escolhas.

Basicamente se considerarmos a proporcionalidade como uma fórmula matemática, teremos que cada partido aumenta suas chances de sucesso (eleger mais candidatos), quanto maior for sua quantidade de votos válidos. Parece ser um sistema justo, mas será que esse sistema favorece nossa escolha?

vote

Temos por óbvio, que qualquer voto a mais aumenta a probabilidade de o partido eleger mais candidatos, pois o total de vagas a que o partido tem direito, depende diretamente do total de votos válidos recebidos por ele.

Agora se pensássemos como um partido, é claro que teríamos estímulos muito fortes para lançar quanto mais candidaturas fossem possíveis. Como não há limite de candidatos por partido, cada voto a mais, soma e dá mais chances de um partido eleger mais de seus candidatos. Está aí uma explicação simples do motivo de termos todo tipo de candidato aparecendo nos programas eleitorais.

Sabemos que as regras eleitorais levam em conta:

1 – Total de votos válidos: total de votos menos os brancos e nulos

2 – Total de vagas para cargos do legislativo: no caso das eleições de 2016, total de vagas para o cargo de vereador.

3 – Quociente Eleitoral (QE): total de votos válidos dividido pelo total de vagas para o cargo legislativo.

4 – Quociente Partidário (QP): total de votos válidos (TVV) recebido pelo partido ou legenda, dividido pelo quociente eleitoral (QE). É o resultado dessa conta que define o número de vagas a serem ocupadas por cada partido ou coligação.

Por simples matemática vemos que:

formula eleições proporcionais

Não é difícil perceber que quanto maior o total de votos válidos recebidos, maior o número de vagas que um partido tem direito. Dessa forma sempre teremos os partidos estimulados a ter cada vez mais candidatos, pois assim aumenta a probabilidade de mais votos válidos para o partido.

Mas e nós eleitores? O que seria melhor para nós?

Estudos em economia comportamental apontam para o que foi denominado como o paradoxo da escolha. Segundo essa teoria, nós seres humanos tendemos a apresentar níveis maiores de insatisfação, quanto maiores forem as opções de escolha à nossa disposição. Isso porque em geral, avaliamos que com maior número de escolhas, somos capazes de avaliar todos os atributos e com isso tomar a melhor decisão na escolha de algo.

Mas o que acontece é exatamente o contrário. Quando mais opções, mais difícil de escolher e quando finalmente decidimos, mesmo que de forma consciente, tendemos a pensar que poderia existir, dentre as opções que desprezamos, escolhas melhores.

Nossa insatisfação derivada desse estresse apresenta, segundo o Professor Americano Barry Schwartz, uma das maiores autoridades no assunto, as seguintes razões:

1) O custo da oportunidade

custo de oportunidade eleitoral

Em um cenário onde existem diversas opções à nossa escolha, invariavelmente teremos que escolher uma opção em detrimento à outra. Não tem como escolhermos um produto perfeito, na maioria dos casos, por isso temos sempre que conviver com o conceito de custo de oportunidade. Onde escolhemos um item por suas qualidades, com a condição de abrirmos mão dos benefícios do outro item. Aqui muito fortemente presente, temos o conceito de trade-off, onde, tendo em vista que os recursos são escassos, sempre teremos que decidir por alguma coisa em detrimento de outra.

2) Arrependimento

arrependimento eleitoral

Este é um conceito que acompanha qualquer tipo de decisão, principalmente se você tiver dúvidas sobre o que está escolhendo. Ainda mais se levarmos em conta que o simples ato de não escolher já é, por si só, uma escolha. Desta forma, surge o arrependimento daquilo que deixamos de escolher também.

3) Capacidade de adaptação

capacidade de adaptação eleitoral

Hoje escolhemos o produto A por julgarmos ser melhor que o produto B. Porém, se amanhã o fabricante lançar um produto B atualizado, com mais funções e opções à sua escolha, provavelmente você terá dúvidas sobre a decisão que tomou hoje. Nossa necessidade de ter sempre os produtos mais novos pode nos prejudicar, causando insatisfações e nos levando a comportamentos compulsivos em compras.

4) O peso da comparação

comparacao eleitoral

Nada pior para deixar qualquer um insatisfeito do que um referencial comparativo. Tudo pode estar bem e adequado, mas se aparece um referencial melhor… atire a primeira pedra quem nunca se chateou com uma comparação!  Estamos o tempo todo nos comparando com nossos amigos, colegas de trabalho, familiares etc. E na hora de escolher um produto não é diferente.

Infelizmente o sistema eleitoral hoje não nos ajuda a fazer escolhas melhores. Com incentivos aos partidos aumentarem ao máximo a quantidade de candidatos em busca de extratos muito específicos de votos, sofremos invariavelmente com o paradoxo da escolha.

Se pensarmos que ainda temos que carregar os demais problemas do ambiente político tradicional brasileiro como: corrupção, favorecimentos, maracutaias e afins…

Podemos dizer que temos uma vida bem complicada como eleitores. Melhorar o sistema eleitoral pode enfim dar um salto na qualidade dos candidatos e facilitar nossa escolha na hora de votar. Neste caso menos é mais!

É obvio, no entanto que outros fatores também são muito relevantes para que nossas escolhas sejam cada vez melhores. Educação, senso de civilidade, isenção, pensamento de comunidade dentre muitos outros, são requisitos que formam eleitores conscientes. Como essas variáveis melhoram a passos curtos, um bom começo para melhorar o nível dos candidatos e das nossas escolhas, poderia começar com a redução de candidatos e partidos que temos a escolher.