Hoje o post vai para divulgar uma apresentação simples que fiz para refletir sobre o mercado de Healthcare brasileiro, com foco específico em medicina diagnóstica.

O mercado movimenta somas expressivas, mas uma pressão de custos vem impactando negativamente os agentes e promete ser um dos desafios mais importantes do setor nos próximos anos.

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Temos ainda um movimento de concentração acontecendo, tanto para operadoras de saúde (OPSS) como para prestadores de serviços em saúde como hospitais, laboratórios e clínicas.

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Inicialmente a reflexão pretende entender um pouco da dinâmica do setor para testar algumas hipóteses. Seguem os slides abaixo:

A primeira é que com o aumento do desemprego, haja uma queda na demanda por serviços de saúde na rede privada, uma vez que a grande maioria dos planos de assistência médica hoje são coletivos e contratados via empresa.

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Em resumo, o grande volume de beneficiários de planos de saúde tem o plano atrelado ao emprego. Obviamente havendo aumento na taxa de desemprego… É de se esperar que o número de beneficiários caia e junto com ele a demanda por exames, consultas, cirurgias e demais serviços de saúde.

Isso acaba causando um efeito dobrado para o mercado. Prejudica a arrecadação do Governo em impostos e todos os níveis (prestadores, planos de saúde, fornecedores de produtos para saúde…). Prejudica também o SUS. Sim o SUS.

Os beneficiários que perderam seus empregos e consequentemente seus planos de saúde, acabam por demandar mais serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde e por tabela aumenta o gasto do Governo com essa conta.

Enfim, algumas reflexões e inquietações que passam, além das vistas acima, por outras variáveis complexas para o mercado de saúde:

  • População envelhecendo, com expectativa de aumento de demanda para serviços de saúde;
  • Gap de cobertura Rede Privada + Rede Pública (SUS) com grande risco de crescimento, excesso de demanda e restrição de oferta de serviços;
  • Capital estrangeiro aterrissando no mercado brasileiro, a meu ver com a imagem errada do setor e grande risco de bagunçar ainda mais o mercado;
  • Prestação de serviços premium descolada da grande maioria dos players do mercado apropriando parcelas relevantes de lucro;
  • Segmento não premium com forte pressão de custos;
  • Investimentos cada vez mais elevados em informatização, como forma de aumento de produtividade e redução de custos;
  • ROI de novas tecnologias comprometido. Descasamento entre necessidade de inovação e viabilidade de implantação de novas tecnologias com manutenção de margem de lucro pelas empresas;
  • Mercado avesso ao risco de empresas de saúde, forçando movimento de fechamento de capitais e deterioração de valores de ações na Bolsa.

Com 2016 apenas começando, ainda pode parecer precoce prever os movimentos do mercado de healthcare. Porém com as informações disponíveis até agora não há como formar grande otimismo para o setor.

Um ano conservador volta ao radar e o que pode garantir o sucesso ou sobrevivência no setor é a continuidade de movimentos austeros e com foco em aumento ainda mais substancial na produtividade, eficiência e qualidade.