A marchinha de José Maria de Abreu, Francisco Mattoso e Paulo Barbosa, bem que poderia ser tida como mote das ações de muitos Governadores e Prefeitos para o carnaval de 2016. Dá um play na marchinha aí. Abaixo explico melhor.

Corre a todo momento notícias de que Prefeitos e Governadores tem cortado as ajudas às escolas de samba para o carnaval de 2016 alegando a falta de verba oriunda da crise econômica pela qual o Brasil vem passando.

Nada mais justo!

Aliás acho que esse é um excelente momento para se discutir esse modelo de financiamento estatal ao carnaval.

Procurei muito e não encontrei um motivo para que o carnaval tenha qualquer investimento do estado. É irracional que o Estado sustente agremiações privadas que se ocupam de fazer festas que por si só já ineram e muito estado.

Se pensarmos que toda a estrutura de limpeza, segurança e demais custos de ocupação de áreas públicas já são suportados pelo Estado, não há como aceitar que além disso haja a transferência de recursos para financiar fantasias e toda a estrutura de funcionamento dos barracões que as escolas possuem.

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Não pensem que sou contra a carnaval, longe disso!

Mas acho que atualmente existem muitas outras formas de financiamento que podem muito bem financiar toda a estrutura das escolas de samba. Na verdade, o fim do financiamento público deve até melhorar a gestão de recursos nas escolas que terão necessariamente que profissionalizar a gestão para se financiarem.

O Estado pode muito bem isentar o imposto ou incentivar de outras formas, sem financiamento direto.

Já as escolas de samba podem recorrer a financiamento coletivo, investir mais nas festas que são realizadas nas quadras, cobrar e profissionalizar os recursos captados nos ensaios, criar formas de associação àqueles que são fiéis à escola, cobrar o custo real de cada fantasia, ou seja cada qual que for desfilar que pague por seu traje.

As escolas de samba podem também investir em licenciamento de produtos e marcas e ainda em conteúdo exclusivo ou direitos de imagem.

Enfim existem muitas formas de financiamento para os carnavais que independem do apoio do Estado, mas para que funcione é necessário que as escolas se profissionalizem também na gestão e não apenas na criatividade e organização dos enredos.

Nesse contexto muitas cidades vêm já cortando o apoio às escolas de samba. Fruto da crise, prefeitos se viram contra a parede e nessa hora é um Deus nos acuda e todos correm para cortar custos, fazendo onde dói menos. Dessa vez que rodou foram as escolas de samba.

Mas eu vejo isso de forma muita positiva.

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Ganham as escolas que terão que reinventar sua gestão, o que é bom e tende inclusive a ter ganhos na qualidade no futuro. Modelos inspirados no Circo de Soleil certamente devem aparecer em breve.

Ganha também o carnaval. Em cidades como Belo Horizonte e outras tantas, o carnaval tende a ser menos uma cópia malfeita dos carnavais carioca e paulista, com escolas suntuosas e desfiles de alegorias, para serem festas populares com blocos de rua organizados por bairros ou grupos.

O próprio carnaval de rua carioca se revitalizou e hoje mais democrático, atrai muito mais como opção de entretenimento que a própria Marquês de Sapucaí.

O resultado de tudo isso é que ficarão as escolas que se profissionalizarem, o Estado gastará o dinheiro com algo que impacte mais o dia a dia das pessoas (escolas, saúde…), blocos de rua se formarão pelo país todo tornando a festa verdadeiramente democrática e autêntica.

Em tempo: É lógico que tudo isso passa antes por uma gestão mais profissional do Estado em relação às suas finanças. Não adianta economizar no carnaval para pagar mensalões, propinas ou para gastos irresponsáveis e mal geridos.

Bom carnaval para nós!