Nelson Barbosa é o novo Ministro da Fazenda e isso não é novidade para ninguém. Refutei um pouco em abordar esse tema aqui, mas após ler um dos artigos publicado pelo novo Ministro, acabei por não resistir.

Nelson Barbosa assume com muitas nuvens de desconfiança pairando sobre ele. O fato de ter uma linha desenvolvimentista certamente é a causa principal da desconfiança. Não vou entrar aqui no mérito ou demérito da linha de pensamento desenvolvimentista vou me concentrar mais no ministro mesmo.

Podemos resumir de maneira bem simplória a corrente desenvolvimentista da seguinte forma:

Política econômica com foco no crescimento da produção industrial e incremento da infraestrutura com expansão de crédito público e gastos do Governo para financiar investimentos.

Já vimos esse tipo de modelo em uso e também já sabemos no que isso pode dar. Estado cada vez maior e intervencionista e empresas “campeãs nacionais” usadas levianamente como instrumentos de políticas monetária.

BOVESPA X PETROBRAS X VALE

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Não é à toa que Petrobras encontra-se no fundo do poço, juntamente com a Vale. O estado atual das empresas estatais reflete exatamente anos de artificialismos das políticas comercias das estatais para salvar o Governo. Isso sem falar das escolhas políticas para ocupação de cargos técnicos e da roubalheira consequente da estratégia que privilegia o apadrinhado à competência e meritocracia.

Mas nem de longe quero jogar lama na nomeação do Ministro Nelson Barbosa. Espero, que mesmo sendo ele um desenvolvimentista, que tenha muita serenidade para analisar o atual ambiente doméstico brasileiro.

Afinal estamos com déficits beirando o surrealismo e inflação já de volta aos dois dígitos. Nesse contexto muito preocupa alguns trechos escritos pelo Ministro Barbosa que reproduzo abaixo.

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Uma elevação adicional da taxa de câmbio real terá efeitos inflacionários no curto prazo, mas estes efeitos podem ser combatidos pelos mecanismos usuais de política monetária, como a taxa de juros e depósitos compulsórios. Além disso, o impacto inflacionário de uma elevação adicional da taxa de câmbio também pode ser compensado por outros instrumentos de política macroeconômica, como uma elevação do resultado primário do governo e outras ações estruturais que melhorem a produtividade e a eficiência da economia. Quanto melhor for a política fiscal e mais rápido for o crescimento da produtividade do trabalho, menos a taxa de câmbio terá que subir. 

(BARBOSA FILHO, N. H – Revista de Economia Política, vol. 35, nº 3 (140), pp. 403-425, julho-setembro/2015)

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Na teoria tudo certo com a citação do Ministro. Na prática fica difícil entender como o resultado primário do governo será elevado, num contexto de rebaixamento do grau de investimento e negativa da Presidente Dilma em reduzir gastos e promover as reformas que podem gerar superávits.

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Além disso, subir os juros também tem um limite. Afinal o governo, no longo prazo, terá que pagar essa conta. Se financiar cada vez mais, com juros cada vez mais altos, nos força a acreditar que no futuro aumenta o risco de o governo não ter dinheiro para honrar seus compromissos.

Sei que não existe milagre. Pelas falas iniciais do Ministro Barbosa, parece que ele é coerente com aquilo que precisa ser feito.

O que teremos que comprovar agora é se além de ser coerente no discurso, o Ministro será coerente em cumprir com os compromissos que ele já assumiu em seu discurso de posse.